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Suprema Corte do Brasil pesa recurso para libertar o ex-presidente Lula

A Suprema Corte do Brasil julgou na terça-feira uma apelação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que argumentou que ele deveria ser libertado porque mensagens particulares vazadas mostraram que o juiz que o condenou não era imparcial.

Cinco juízes no tribunal de 11 membros ouviram o apelo. Eles podem decidir libertar Lula em poucas horas ou mantê-lo preso até que a corte inteira possa avaliar o apelo.

O esquerdista Lula foi o líder do Brasil de 2003 a 2010 e deixou o cargo com 87% de aprovação. Mas o Partido dos Trabalhadores que ele fundou caiu quando os promotores brasileiros em 2014 iniciaram a investigação de corrupção “Car Wash” e outros. São investigações inéditas sobre corrupção, centradas em propinas políticas em contratos em empresas estatais.

Lula foi condenado em julho de 2017 no primeiro de pelo menos oito processos de corrupção que enfrenta. Ele foi preso em abril de 2018 com uma sentença de 12 anos e permanece na prisão. Ele já foi condenado em um segundo julgamento de enxerto.

A primeira condenação impediu Lula, um ícone esquerdista que continua sendo um dos políticos mais influentes do Brasil, de concorrer à presidência no ano passado. Mesmo depois de ser preso, as pesquisas mostraram que ele teria sido facilmente eleito pelo rival de extrema-direita Jair Bolsonaro, que conquistou a presidência.

O juiz que condenou Lula, Sergio Moro, agora serve como ministro da Justiça de Bolsonaro.

Nas últimas semanas, ele foi pressionado a se demitir depois que o site de notícias da Intercept Brasil publicou o primeiro do que disse ser meses de histórias baseadas em mensagens privadas vazadas entre Moro e promotores.

Essas mensagens levantam sérias dúvidas sobre a imparcialidade de Moro enquanto ele presidia o julgamento de Lula. As mensagens mostravam-no orientando os promotores sobre o momento dos ataques e prisões, pedindo-lhes que publiquem comunicados de imprensa para criticar a defesa de Lula e enviar dicas investigativas, enquanto ele era legalmente obrigado a permanecer imparcial.

Com base nas mensagens, o advogado de Lula, Cristiano Zanin, argumentou perante os juízes da Suprema Corte na terça-feira que Lula deve ser libertado imediatamente.

“Hoje, sabemos que a defesa foi tratada como mera formalidade”, disse Zanin, referindo-se à ajuda de Moro aos promotores federais. “Desde o início do julgamento, a promotoria recebeu tratamento favorável”.

Em declarações judiciais, Zanin disse que as reportagens do The Intercept “revelam em detalhes completos e assustadores” que Moro violou a ética para condenar Lula e impedi-lo de recuperar a presidência.

Moro disse inicialmente que as mensagens vazadas não mostravam erros. Como The Intercept publicou mais histórias, ele mudou de tática para dizer que não podia verificar se as notas eram autênticas e que não conseguia se lembrar se as havia enviado.

Os advogados de Lula há anos sustentam que Moro estava agindo com o desejo de impedir que Lula e o Partido dos Trabalhadores retornassem à presidência. Eles recorreram repetidamente ao Supremo Tribunal, mas todos os pedidos foram negados.

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